No interior do Norte

Desculpem.... mas este blog é apenas para pessoas inteligentes! Se não é o seu caso, peço lhe suavemente que se retire. Desculpe o incómodo!

sábado, agosto 30

Segredos...

sexta-feira, maio 11

HORIZONTES

 

 

Proíbam as palavras!

Façam delas exemplo precito…

E se alguma dita for…que se não discirna…

De inaudivel ou de surdez auto-imposta.

 

Proíbam as palavras.....

Nesta azáfama de faz de conta

de dias corridos, já sem gestos

As palavras ofendem.

 

E fiquemos no imperturbável silencio.

Nesta colmeia sinistra de indiferença.

Palavras, que nada dizem,

prometem apenas  cidades nuas

sexta-feira, novembro 4

Expiação



foto gentilmente cedida por Diana Sofia 
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Quase que cruzamos o olhar depois….muito depois…
Antes, dantes….
A noite beijava o chão (e cúmplice ..) nos impelia ao desejo.
Mas cansados do que fosse apontamos a íris ao infinito
E nisso,  não vimos ( ou não quisemos ver…)  que o escuro que ia cobrindo o morro era apenas para nos envolver…..
E atropelamos caminhos desiguais.

Imaginei te  ( e tive-te….) despida madrugada fora
No calor das minhas mãos….
A tocarmos carícias suaves e beijos molhados de saliva e calor…
Ao sabor de todos os momentos….

Mas isso foi no tempo das gárgulas escuras que te atormentavam e me enlevaram até ti
Quando desci á serra para te abraçar
No tempo das quimeras que inventei para te serenar …
No tempo em que todas as arvores da floresta eram meu íntimo refugio
E delas fazia papiros….
No tempo de todo o tempo

Depois do tempo..veio apenas geometria
Até para o amor
Não eras tu….
E eu não sou assim

Só me moldo á capacidade do meu sonho
E á driade em que vivo

deixei de ser teu anjo negro
Saí de teu corpo
Boa noite


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sugestão musical - Alfie
sugestão cinéfila -  I want your love - transvision vamp

terça-feira, agosto 9

FLUIDOS



No éter, as coisas mais bruscas refinam –se.

Até o pedregulho mais soturno se ergue

Para além do tangível…

Não me presumas mal se ainda te alcanço

Se te não esqueço… se te cuido

Todas as pedras que me deste foram cravos .

E nelas me deito




sexta-feira, julho 23

Teia de tempo



Aos poucos , enquanto arejo de luz este espaço... vou-me perguntando pelos demais.... Por vezes nem me apercebo o quanto me retirei......
Foi o que foi....

De volta ao labor.....
Apetece-me renovar completamente o espaço. Rebocar de branco as paredes... compor o reposteiro.... reparar de vez a torneira da banca ....
Transformar o espaço em turismo rural..... e solto um sorriso.....
Este velho casebre é o que é. E eu gosto dele assim.
Continuará sempre a ser aquilo que veramente sou. A casa mais bela que um dia projectei. E por mais rústica.... por mais pobre nos materiais da fachada..... terá sempre uma pedra de lareira acesa!
Para me aquecer e iluminar o coração.

...



quarta-feira, julho 14

Pão Ázimo


Não houve tempo para mais.

Silenciei de vez a voz irrequieta.... E dei me de comer a quem me levou.

Uns partiram... Eu fugi.
Sem olhar para trás. Não podia! O rio não volta a passar nunca mais no velho moinho....
Fui andarilho.....
No cofre secreto onde , delicadamente , vamos guardando as preciosidades que a vida nos bafeja... acumula-se pó e ilusão.... em camadas .... como papiros. Folhas tão cheias e delicadas que o tempo se encarrega de macerar. Quando não manuseadas com cuidado.... acabam por se desintegrar como o pó .... e deixamos de distinguir ( nas camadas ....) as palavras impressas do pó.....essas palavras que pintalgaram os dias-tempo de ilusão.... e que hoje são visão .... mesmo quando se não olhou para trás....porque não se quis... ou se não podia......
Um dia... quando acordamos.... vemos que o horizonte - embora granítico - já não é o mesmo!E isso agride! Ao ponto de nos acordar de vez! Deixamos de sonhar...
Julguei eu!
Na fuga.... ficou um aperto no coração( sim, porque o coração de alguns aperta...), semelhante a um vazio que se não consegue explicar. mas que se sabe!
Experimentados... contrariamos sem pejo as palavras sabias (porque essas ainda luzem aos predestinados ) .... Hoje voltei ao lugar onde fui feliz!
Não trago fermento. Nada capaz de germinar e fazer crescer o que seja.
Apenas uma promessa que guardei em mim.
Essa sim... contrariou a fuga... germinou....


E me trouxe até aqui.


.

segunda-feira, dezembro 29

PAZ

Por vezes….(não raras vezes…) acobardamos o grito no eco do silencio e esperamos que a estanquicidade o leve como má aragem para caminhos longínquos do nosso pensamento.
Esse grito capaz de mudar o mundo.
Esse bramido calado definido perfeito na voz límpida do poeta que nunca cresceu.
Por cá geramos risos e sorrisos.
Muitos risos.
Risos perfeitos em quadrifonia histérica.
E por cá vivemos.
Nem o silencio cortamos na voz de uma guitarra dedilhada ungida ao fado que já foi nosso e nos dias de hoje já só mantém a saudade .
Compramos mornas e coladeros e até sons estridentes de violinos gélidos num telhado a leste , com que sofregamente alimentamos sorrisos , ainda que os sons frios se catapultem de um trapézio..
Sorrisos como se fossem margarina barata de marca branca. Margarina a fazer de manteiga pura … e reclamo por queijo branco e cru de cabras famintas e alimentadas de urze.
E vem me ao sabor o travo do silencio.
E pergunto-me ….O que foi feito das palavras?
E … se alguém as tragou, teriam gosto a urze brava? Ou a “mejillones sudados” que traguei em desconcerto em plenas “rias baixas” a caminho de finisterra.
E se , tragadas as palavras, vivêssemos em silêncios e sorrisos?
Ou já vivemos?
Nesta quadra terna de doces hipocrisias, em que urge romper os urbanos silêncios ainda que embrulhados em papel doce de fitas reluzentes. Fitas longas e enrodilhadas , como que os demais fazem no correr do ano.
Fica em mim a saudade de aletria pobre polvilhada de canela em forma de pinheiro. Essa aletria de pedras geladas que a geada trespassava mas não atingia os corações.

Feliz ano Novo.


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sugestão musical : echoes - Pink Floyd

sugestão cinéfila : blade runner - ridley scott

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